Cinematura - Marie Antoinette

Um dos meus maiores passatempos é ler livros que deram origens a filmes de que gostasse muito. Acumulei tantas adaptações que resolvi que...

Um dos meus maiores passatempos é ler livros que deram origens a filmes de que gostasse muito. Acumulei tantas adaptações que resolvi que iria fazer uma coluna só pra contar dessa minha pequena queda, a Cinematura - junção de Cinema e Literatura. É claro que não quero ficar contando sobre qual é melhor, mas acho que vale a pena comentar pontos fortes e fracos de cada um. Espero que gostem. 

Sempre me interessei muito por histórias de monarquia e amo assistir filmes que contam a vida de rainhas. Quando assisti Maria Antonieta, da Sofia Coppola, fiquei ainda mais encantada com a história de uma das monarcas mais odiadas da história - se não a mais. Antes disso, conhecia apenas das aulas de histórias, como uma grande vilã. Depois de conhecer o filme, achei um exagero maior ainda e não pude deixar de procurar a biografia da rainha. E foi assim que cheguei ao livro "Maria Antonieta - Retrato de Uma Mulher Comum", de Stefan Zweig.

Maria Antonieta é uma velha conhecia da nossa geração, assim como seu marido Luis XVI. Eu os vejo como a celebridade problema de Hollywood, casada com o nerd mais tímido do Vale do Silício. Seria o encontro perfeito de "Beauty and the Geek" se não se tratasse dos futuros rei e rainha da França. Duas crianças sem competência e ambição, entregues ao poder, na sociedade mais exagerada e fútil do século XVIII. Definitivamente uma situação fadada ao fracasso.

Por incrível que possa parecer, a adaptação de Sofia para o cinema é completamente fiel e capta perfeitamente a personalidade da delfina. Uma mulher inteligente, que se importava apenas com futilidades, diversão e todo o exagero da corte de Paris. Desde os anos humilhação de um casamento não consumado, até os dias de maternidade. 
Kristen Dunst trazendo perfeitamente a personalidade da rainha da França.
Jason Schwartzman como um dos homens mais bonzinhos e patetas da história.
Todos os personagens são retratados com a fidelidade que os registros possam oferecer. Luis XV como o velho mulherengo e seu sucessor, Luis XVI,  um tímido sem grandes excitações, são descritos por Zweig exatamente como aparecem na grande tela. E a incrível Maria Teresa, a grande imperatriz da Áustria, que foi capaz de premeditar toda o desfecho assim que sua filha tirou os pés de seu país de origem e lutou com todas as forças para impedir o desastre inevitável, ganha menor destaque na história, mas também é bastante fiel.
Rip Torn como Luis XV, o cara mulherengo que tornou o casamento entre Áustria e França possível.
Marianne Faithfull sendo a cópia cuspida de Maria Teresa da Áustria. 
A grande diferença entre as biografias aparece em relação ao foco, enquanto Sofia capta os primeiros anos de reinado de Maria Antonieta, Zweig nos traz também a transformação da rainha, que se tornou uma mulher assustada, amargurada e sem forças pra lutar contra o povo. Mostra uma Antonieta às margens de seu fim e do estilo de vida que ela vendeu para a sociedade, tornando-a mais vítima de boatos do que de suas próprias ações. 

Essa história é completamente fascinante em diversos pontos de vista, não importa qual seja a sua versão. Desde os aspectos ligados à luta de um povo e a comoção de uma sociedade em busca de  liberdade, até os aspectos relacionados à moda e ao comportamento da época, que muito se repete em diversas ocasiões na história, principalmente nos dias atuais. Um ambiente de fofocas, boataria, que nos demonstra a importância da imprensa, da vontade popular e uma bela lição aos soberanos. 

Sandy Quintans
@sandyquintans 

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