Joana leu: A fada, de Carolina Munhóz

A fada Carolina Munhóz 256 páginas editora Fantasy Casa da Palavra "Alguns jovens ganham presentes caros, passagens aére...

A fada
Carolina Munhóz
256 páginas
editora Fantasy Casa da Palavra
"Alguns jovens ganham presentes caros, passagens aéreas ou festas surpresas em seus aniversários de 18 anos. Melanie Aine ganhou o falecimento do pai, uma estranha tatuagem e a descoberta de que não era um ser humano. Como se tudo isso não fosse suficiente, Melanie ainda descobriu por detrás da enevoada e mística cidade de Londres um mundo fantástico que até poderia ignorar, se não descobrisse ser parte importante dele. Um legado que traz com ele diversas tragédias e problemas pessoais que ela não espera se adaptar, mas não sabe se terá opção. A única parte recompensadora parece ser seu encontro com um homem misterioso, oriundo de uma família bruxa poderosa, cuja relação caminha em uma linha bamba e tênue que separa afeto e fúria. Um afeto que pode levá-la à transcendência e à vida eterna. Uma fúria que pode conduzí-la à morte e ao esquecimento. Dentre muitos feitiços, lutas, criaturas mágicas e eventos sobrenaturais, 'A fada' é uma história de descobertas e superações, sobre como o amor pode fazer várias pessoas redescobrirem a vida e a magia nela." 

Esse foi o primeiro livro escrito por Carolina Munhóz, e ela era bastante jovem quando o fez. Isso fica bastante evidente durante a leitura; apesar de a estória ser consistente e possuir uma boa trama, ela é meio infantil, e até a linguagem usada pela autora contribui para essa condição.

No dia em que completou 18 anos, a jovem Melanie Aine ganhou uma tatuagem misteriosa, e perdeu seu pai de repente, ficando sozinha no mundo, já que sua mãe tinha ido embora. Morando em Londres, isolada de quase todos, exceto de um casal amigo dono de um pub, Mel passa seus dias lamentando suas perdas e tentando entender porque é diferente. Ela sabe que tem uma missão, mas ainda não descobriu qual.



Já no início, Melanie revela que é uma fada, e também apresenta ao leitor o mundo das fadas. A personagem visita esse universo para tentar descobrir qual a sua missão, logo depois de ter uma visão, no meio da floresta, de um par de olhos misteriosos. Mel acredita que precisa encontrar o dono daqueles olhos, e que ele está diretamente ligado à sua missão.

Assim, ela conhece Artur numa situação complicada em que ele a ajuda a ficar segura, e os dois se envolvem imediatamente. O romance é muito delicado e doce, e o casal acredita que nasceram um para o outro. Alguns acontecimentos os levam a descobrir detalhes de suas vidas que eles não se lembravam mais, e tudo só reforça a crença de que eles estão predestinados.

Claro que a conquista da felicidade não poderia ser tão simples, e, quando Mel percebe qual é a sua verdadeira missão na Terra, o relacionamento deles é colocado em segundo plano. Mas antes da fadinha tomar a decisão mais importante de sua vida, ela passa por um processo de conhecimento muito intenso, enquanto descobre o amor ao lado de Artur.

Ao mesmo tempo que abre seu coração e desfruta dos momentos que passa com Artur, Mel tenta entender as atitudes radicais tomadas por sua mãe, e percebe que seu destino é cumprir aquilo que lhe foi determinado, antes mesmo dela descobrir que era uma fada. A aceitação e a compreensão de ser quem ela é, ajudam Mel a assumir seu lugar no mundo.

O final tem dois momentos distintos: o primeiro, bastante corajoso e surpreendente, e que fecharia perfeitamente a estória, sem precisar de muitas explicações, pois é totalmente coerente com o enredo; e um segundo momento em que a autora optou por um clichê que, na minha opinião foi desnecessário. Gostei da perspectiva do futuro que ela usou, mas acho tudo poderia ter se encerrado com a decisão mais adulta que Mel tomou em toda a narrativa. Mas entendo que a autora quis manter o toque de magia na estória, e até uma pitadinha de romance, para deixar tudo mais atrativo para suas leitoras.

No final das contas, gostei do livro, apesar de não me identificar imediatamente com o estilo de narrativa, talvez por eu já não estar na faixa etária para a qual ele foi escrito. Foi um bom início de carreira para Carolina, e quero muito ler outro livro dela para acompanhar a evolução da sua escrita.

Joana Masen
@joana_masen

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