Cinematura - O Quarto de Jack

Sabe por quê eu adoro a temporada de Oscar? Não é pela cerimônia, ou pelos vestidos ou pra descobrir apenas quem vai levar o quê. É pra de...

Sabe por quê eu adoro a temporada de Oscar? Não é pela cerimônia, ou pelos vestidos ou pra descobrir apenas quem vai levar o quê. É pra descobrir histórias. Filmes maravilhosos indicados e também aqueles que ficaram na listinha de rejeitados. A graça está aí. É uma temporada de coisas boas pra ver. Mas, a grande verdade é que quando chego na metade do ano, quase já não lembro de grande parte dos filmes da temporada de premiações. Porque eles simplesmente não têm alma, sabe? Em muitas  vezes, é apenas um aglomerado de coisas bonitas. E, felizmente, não foi nada disso que eu senti quando vi “O Quarto de Jack”, tanto é que coloquei ele na minha lista de coisas que valiam a pena serem vistas. 


Esse sentimento só aumentou quando eu resolvi ler o livro da Emma Donoghue, que deu origem ao filme. Aquela história me tocava de tantas formas, que achava que meu cérebro poderia explodir. Era um relato que, com inocência, falava sobre coisas que só nós mulheres entendíamos. É aquele velho medo do abuso, unida com aquela velha história de superação. Todos os dias.


O quarto é o único lugar que nosso pequeno narrador conhece –  Jack –  de apenas cinco anos. Pra ele, aquele universo é incrível. Tem todas as coisas de que precisa e a presença de sua mãe. O que ele não imagina é que lá fora existe um mundo imenso, cheio de tudo aquilo que ele acha que tem apenas na TV – com exceção da Dora, claro. O problema é que a mãe de Jack, a Joy, foi sequestrada quando tinha 19 anos. E Jack nasceu no cativeiro, fruto dos abusos de seu sequestrador. Você termina essa história achando que aconteceu, mas é uma obra de ficção. Um relato que reúne dezenas de casos reais que vimos passar na TV.  


Apesar de ser uma história pesada, a narração de Jack deixa tudo mais leve, porque vimos tudo pela visão dele. Tanto no livro quanto no filme, é uma delícia sem fim acompanhar as descobertas dele no mundo. E, principalmente na versão escrita, morri de rir com as suas trapalhadas.  Eu achava que seria uma leitura chata, porque além de um tema pesado, não conseguia enxergar como a história poderia avançar aos olhos de uma criança tão nova. Mas me enganei completamente.


Tanto a versão para o cinema, quanto a versão original são incríveis. Porém, são duas histórias distintas. Apesar da primeira parte do filme ser bem fiel ao livro, as continuidade são bem diferentes. Talvez, a forma como a segunda metade da história foi escrita não fizesse tanto sentido no cinema. Por isso, achei muito sábia as mudanças que fizeram.


Outro trunfo do filme são os atores. Não é a toa que a Brie Larson ganhou o Oscar de melhor atriz. Além disso, o entrosamento entre ela e o pequeno e incrível  Jacob Tremblay é a melhor coisa da história. Nós terminamos de assistir o filme suspirando com a graça dessa criança, sem contar que é um ator maravilhoso, que carrega o filme praticamente sozinho. Afinal, ele é o nosso pequeno protagonista.


Sandy Quintans
@sandyquintans

Cinematura é a coluna que falo sobre livros que viraram filmes. Há vezes que amo mais a história escrita e outras que acho que a versão pro cinema ficou melhor. Mas uma coisa sempre é certa: eu adoro conhecer duas versões de uma mesma história. Para ver outras edições, só clicar aqui

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