Cinematura - Se enlouquecer, não se apaixone

Lá nos meus tempos de locadora, me deparei com um filme muito legal e que era meio abandonado nas prateleiras pelo clientes. O que me levo...

Lá nos meus tempos de locadora, me deparei com um filme muito legal e que era meio abandonado nas prateleiras pelo clientes. O que me levou a demorar um certo tempo pra assistir. Mas sempre que estava organizando a loja, parava pra olhar a capa e o título e sempre pensava que estava perdendo alguma coisa. E estava. Quando assisti "Se enlouquecer, não se apaixone" , eu amei. Gostava da maneira leve que ele se propunha a falar de depressão. Logo, eu descobri pelo Tumblr que havia um livro que inspirou a versão cinematográfica. Corta pra 2016, para o dia que estava passeando pela livraria e encontrei o adorável "Uma história meio que engraçada", do Ned Vizzini. E assim começamos mais um Cinematura.


A história é sobre Craig, um garoto de quinze anos, que leva uma vida normal no Brooklyn. Ele é extremamente inteligente, tem amigos, uma família feliz, mas que sente que há algo completamente errado consigo. Existe sempre uma peça faltando, assim como uma inabilidade pra lidar com a vida. Um dia, ele decide que está cansado de lutar e achar que nunca é o suficiente e resolve que irá se jogar da ponte do Brooklyn.


No meio do plano, ele tem um estalo que o impede de completar sua ideia de suicídio e resolve ligar pra emergência. Assim, ele se interna em uma clínica psiquiátrica, que o ajuda a lidar com seus problemas e que o faz perceber que existem mais pessoas como ele no mundo. O grande problema é que Craig sempre acha que não é capaz, que não pode resolver seus problemas, que o leva a um nível alto de ansiedade.


Por o livro tratar dos problemas de Craig de maneira leve, a gente acaba achando que tem um pouco de fantasia demais. Mas a história é baseada na experiência do próprio autor, que realmente ficou internado na clínica por cinco dias e logo depois teve a ideia de escrever algo inspirado no que ele passou. Algo meio parecido com o que aconteceu em "Garota, interrompida" (que já falei aqui). E é isso que me faz achar o livro tão interessante.


Eu já havia adorado o filme e depois que li a história completa, fiquei achando ainda mais interessante. É claro que como toda adaptação, há mudanças, mas a essência está toda lá. Na versão pro cinema, há diversos recursos pra descrever a mente de Craig, que só teria dado certo neste formato. Por isso, recomendo as duas versões. E a parte boa é "Se enlouquecer, não se apaixone" acabou de entrar pra Netflix ♥.


O mais interessante dessa história é a forma como nos dá esperança. Eu já convivi com pessoas com depressão a vida a toda, inclusive gente muito próxima a mim. É importante que haja obras como essa, que dá a perspectiva de que pode existir mudanças, mesmo que muitos dias sejam mais difíceis que os outros. É ainda mais importante quando vemos um relato de alguém realmente passou por isso. Faço uma referência no passado, porque infelizmente Ned Vizzini realmente se suicidou em 2013, alguns anos depois de ter se internado. O que só reforça a importância da sua obra e que prova o quanto a depressão é um problema sério.



Sandy Quintans
@sandyquintans

Cinematura é a coluna que falo sobre livros que viraram filmes. Há vezes que amo mais a história escrita e outras que acho que a versão pro cinema ficou melhor. Mas uma coisa sempre é certa: eu adoro conhecer duas versões de uma mesma história. Para ver outras edições, só clicar aqui

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