Precisamos falar sobre 13 Reasons Why

Não, a Netflix não me pagou pra escrever esse texto. Mas esse final de semana eu peguei uma gripe daquelas bem tensas e por isso fiquei em...

Não, a Netflix não me pagou pra escrever esse texto. Mas esse final de semana eu peguei uma gripe daquelas bem tensas e por isso fiquei em casa aproveitando minha assinatura e cai em "13 Reasons Why". Eu não sei como comecei a assistir a série, mas o que parecia uma história adolescente ia ganhando uma importância maior a cada episódio e percebi que algo relevante estava acontecendo ali, porque não se tratava de algo que era “apenas legal”, como Stranger Things (que amo), mas algo significante e necessário. Depois de conversar com a Helen sobre essa loucura de dois dias nas nossas vidas, resolvemos que queríamos falar sobre isso aqui no P!.


A série é sobre a Hannah Baker, uma adolescente comum dos Estados Unidos que decide cometer suicídio. Mas antes, ela resolve gravar treze fitas citando motivos e envolvendo pessoas que a levaram se sentir na obrigação de tirar a própria vida.  Em cada episódio, nós conhecemos um novo personagem e qual é a história por trás daquilo. A princípio cada pessoa que entra na soma acaba sendo um estereótipo daqueles de escolas americanas, que envolvem atletas, líderes de torcida e populares em geral, mas no desenrolar da coisa cada personagem ganha profundidade e acabam representando comportamentos que todos nós cometemos na sociedade, quase sempre sem perceber. Principalmente, se estivermos falando de distúrbios emocionais. 

Ainda existem pessoas que acreditam e que colocam esses problemas como frescura ou fraqueza, quando é algo grave que precisa de tratamento e acompanhamento – e isso é algo bastante discutindo na série. Há diversos comportamentos que continuamos reproduzindo, mesmo quando algo não faz o menor sentido, e como a Helen bem lembrou, acabamos minimizamos os sentimentos alheios. Não é por que você não sente determinada coisa que deve presumir que outra pessoa se sinta da mesma forma. É pra isso que sentimos empatia, pra nos colocar no lugar do outro e tentar entender.


Outra questão importantíssima colocada na série é a do machismo. Em diversos momentos do desenvolvimento da história são colocadas situações que mostram como as coisas são piores para as mulheres e como ainda continuamos culpando vítimas, apesar de todas as discussões. Acho que todos os episódios é um retrato tão verdadeiro de coisas que acontecem o tempo todo, que chega a ser um tapa na cara em nós como sociedade. 

Também é um reflexo interessante, por não colocar as pessoas como boas ou más, mas apenas como pessoas, que erram, que sofrem, que cometem coisas ruins, que causam coisas boas, com intenção ou sem. A questão toda levantada pela série (juro que não estou te dando spoilers) é que independente de quem somos, o que nos diferencia uns dos outros são as decisões que tomamos e como isso pode fazer diferença na vida de alguém. Inclusive, não fazer nada também pode tornar as coisas pior, simplesmente por recursarmos escutar algo importante ou algo sutil. 


Depois que a série foi lançada, as pessoas criaram uma campanha espontânea no twitter na hashtag #nãosejaumporquê pra falar sobre prevenção de suicídio e coisas que todos nós podemos fazer pra ajudar alguém. Depressão não é frescura. Bullying não é drama. Julgar alguém é inaceitável. Não vou dizer que vai ser fácil, mas assistam "13 Reasons Why"(e se quiserem também há o livro que inspirou a série, escrito por Jay Asher). É aquele tipo de história que vai te fazer remoer o que aconteceu, porque no fim a gente percebe que a Hannah é alguém que a gente conhece, alguém próximo, e que pode estar precisando de você.




Sandy Quintans
@sandyquintans

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