terça-feira, 7 de novembro de 2017

Três dias em Edimburgo

Três dias em Edimburgo
No fim de outubro eu e o Vini fizemos nossa primeira viagem desde que chegamos aqui, dá pra acreditar que demorou tanto? Na verdade, eu nunca senti que havia sido algo que tinha demorado a acontecer, porque nós estávamos aproveitando muito em Dublin e na fase de turistas por aqui. Até que chegou o dia em que sentimos a necessidade de conhecer novos lugares, afinal, esse é um dos motivos pelo qual um intercâmbio na Irlanda é ideal para aqueles que gostam de viajar, né?

Eu devo confessar que essa viagem veio em perfeito timing, não só pela vontade de novas aventuras, mas também porque eu andava numa fase não tão boa. Estava bem cansada da rotina de estudos e trabalho (ainda que bem mais leve do que a que tinha no Brasil), resolvendo problemas de dinheiro e documentação pra renovar o nosso visto aqui, o acabou me deixando com uma gripe que persistiu duas semanas. E detalhe, tudo isso aconteceu junto com a chegada do nosso outono, que mudou bastante o clima, apesar de deixar a paisagem mais bonita. Não se preocupem, as coisas estão resolvidas agora e minha saúde melhorou muito depois da nossa viagem. Já que no fundo, tudo que eu precisava era de um descanso pra minha cabeça e pro meu corpo. 

Pra nossa primeira saída da Irlanda, optamos por um lugar que fosse próximo e que não exigisse tantos dias pra gente conhecer, pois não queríamos perder aula e trabalho. Também estávamos pensando em um lugar que não fosse completamente diferente de Dublin, pra servir como treinamento para as nossas próximas viagens. Já que somos completamente amadores nessa história de viagem.

Edinburgh Castle Watching over Its town

Edimburgo, na Escócia, foi o destino ideal porque além de termos encontrados passagens em promoções (apenas € 9,90 pela Ryanair), ainda era um lugar que eu sempre quis conhecer e que ainda era muito a nossa cara – até cheguei a cogitar um intercâmbio por lá, não vou negar. Honestamente, não poderia ter escolhido destino melhor. Depois de duas semanas que voltei pra Dublin, sigo completamente apaixonada pela cidade e gostaria muito de visitar novamente e aproveitar ainda mais. Eu me imaginei vivendo na Escócia, sinceramente (aonde é que eu assino pra isso acontecer, por favor?).

Nós viajamos um dia depois do furacão Ophelia ter passado por aqui, então estávamos vivendo um momento meio estranho, de não saber muito o que fazer. Pra nossa sorte, o dia amanheceu lindo, com um sol raro de encontrar por essas bandas. Por isso mesmo, quando aterrissamos na Escócia e descemos na Princess Street, uma das ruas principais de Edimburgo, o contraste da arquitetura gótica (nada suave), com as cores das construções e o sol de final de tarde, trouxe um clima pra cidade que me fez pensar que nunca tinha visto nada tão bonito. Parecia que a vida real estava sob efeito de algum filtro bem bonito de instagram. Resumindo, fui impactada já na primeira impressão.

History
 everywhere Embraced by history

A verdade é que Edimburgo tem um clima de nostalgia no ar, que me fez sentir como se estivesse sido transportada pra algo ali pelos anos 1980/1990 – ou o que essas décadas representam no meu imaginário – e isso não é apenas pelas construções e arquitetura marcantes. As pessoas eram muito mais descoladas e autênticas, com muita referência do movimento punk e grunge, e os estabelecimentos muito mais convidativos do que eu passei a estar acostumada aqui em Dublin. Ou pode ser que não tenha sido nada disso e foi só o jeito como eu enxerguei a cidade.

Talvez eu tenha sentido muito isso por causa de Trainspotting, que criou aquela ideia dos jovens escoceses e que traz a atmosfera do que é a Edimburgo muito forte. Inclusive, esse é um filme excelente (e a sequência que saiu esse ano também), não apenas por todas as referências do cinema cult e pela mudança nas narrativas ligadas a drogas, mas também por criar sensações que do que é estar lá. Também traz uma noção muito boa de como é o sotaque escocês e de como eu sofri com ele nesses dias de viagem, quase que voltando imediatamente pra estudar mais.  

Old Town and its beauty The Royal Mile Balmoral Hotel

Mas nem só de referências a Trainspotting vive Edimburgo. Lá também é a grandiosa terra que serviu de inspiração pra J.K Rowling escrever o universo Harry Potter. E sabe o que é mais incrível? Isso também está no ar. Tudo parece cenário do filme e diversas coisas nos faz lembrar Hogwarts e de cenas de magia dessa saga que vive em nossos corações. Inclusive, é possível visitar o café em que a J.K ia pra escrever o primeiro livro e um tour pela cidade com os cenários reais que serviram de inspiração pra saga. Infelizmente não tivemos a oportunidade de fazer, mas quem sabe essa não é a desculpa ideal pra voltar, né? 

Além de explorar um pouco da capital, também tivemos o prazer de realizar um tour gratuito até o interior da Escócia (você não entendeu errado, eu disse gratuito). O passeio dura um dia é uma experiência incrível, em que não tenho palavras pra expressar o quanto vale a pena. No começo, estávamos em dúvida entre conhecer o famoso Lago Ness ou embarcar nesse gratuito, mas optamos em economizar um dinheiro e fazer uma doação para a empresa que realiza o tour. Tenho certeza que qualquer um desses passeios que opte em fazer serão incríveis e espero que não tenha que escolher como eu. Foi nessa viagem que conhecemos as vacas escocesas, que são bem peludinhas e ruivas. Também passamos por monumentos, castelo e vilarejos, tudo isso com um guia bem humorado e que não se cansava de contar histórias sobre cada lugar e também sobre Sean Connery (um famoso escocês).
A rota do tour gratuito pela Escócia (clica no mapa pra saber por onde passamos)

Esse foi o único passeio que havíamos decidido fazer antes de chegarmos, porque tínhamos que agendar com certa antecedência. As outras coisas fomos descobrindo nos nossos dias por lá, o que trouxe muitas surpresas e experiências positivas. Por isso, preparei essa listinha pra recomendar os pontos altos dessa viagem que tá morando no meu coração (tudo devidamente linkado para quem quiser saber um pouco mais): 

A atmosfera completamente medieval da St Giles’ Cathedral que me deixou de queixo caído 
A imponência da Saint Mary Cathedral que me fez cair pra trás 
A visita ao Castelo de Edimburgo que dura quase um dia inteiro de tão completa 
O hambúrguer do BRGR, que tem o preço fixo de £4 pra qualquer lanche na semana e que dá um quentinho no coração 
A vista magnífica da cidade quando você sobe até o Dugald Stewart Monument
O tour gratuito que me possibilitou conhecer um monte de lugares maravilhosos e históricos 
O sorvete delicioso e barato do Ciao Roma 
O Scottish National Gallery com pinturas impressionantes e a entrada grátis
Comer fish and chips no Sir Walter's Cafe in the Gardens aproveitando a paisagem que Edinburgh nos oferece 

É claro que além dessas poucas experiências existem diversas possibilidades nessa cidade. Há dezenas de parques, Jardim Botânico, Zoológico, Galerias e museus variados espalhados por todo o lugar. Além das coisas que fazem parte da cidade e que são interessantes, como os becos e cemitérios, paisagens. O que me fez pensar que apenas três dias foi bem pouco pra tudo que Edimburgo tem a oferecer. Agora só resta torcer pra outra oportunidade de explorar a cidade um pouco mais.

Aye!
A famosa vaquinha escocesa e toda a simpatia.

Todas as fotos deste post foram tiradas por Vinícius Novaes, meu namorado e registrador oficial das nossas aventuras. 

Sandy Quintans
@sandyquintans

terça-feira, 24 de outubro de 2017

É hora de dar adeus ao certo e errado na moda

É hora de dar adeus ao certo e errado na moda
Eu tenho um ritual de todos os domingos quando chego do trabalho de assistir aos programas de TV que eu mais gosto do Brasil  (aliás, vamos deixar um agradecimento especial ao SBT e Band por manter tudo atualizado no canal deles, rs). Entre eles, sempre assisto o Esquadrão da Moda. Tenho assistido programas de transformação desde que me entendo por gente, mesmo que a ideia de alguém zombar do estilo de outra pessoas não me deixe confortável.  Mas uma coisa a gente tem que admitir, de uns tempos pra cá houve uma certa mudança de perfil no programa de algo que era meio baixaria pra algo muito mais próximo do que é a consultoria de estilo da vida real: uma ajudinha pra que você se sinta mais feliz com você mesmo, sem perder algo que faz parte da sua essência.

"Seja você, não eles" por ban.do
Tem horas que tenho a impressão de que apesar de existir essa mudança na produção do programa, quem assiste ainda está meio preso no mundo do certo e errado na moda. Por acompanhar tudo pelo Youtube, sempre passo um tempinho lendo os comentários - uma das minhas coisas preferidas na internet, tenho que admitir. Outro dia vi um pessoal criticando o cabelo da Vanessa Rozan, uma das minhas maquiadoras preferidas e referência de estilo, dizendo que tava parecendo um índio e que ela precisava dar um up no visual. É curioso que a acompanho há anos e ela se aventura muito em penteados e cortes variados, e sempre vi como algo que combina muito com ela e que é totalmente uma representação do que ela é. E a gente não pode nos esquecer que a moda está para nos servir e não o oposto. 

Outra coisa que faz parte dos meus passatempos favoritos é assistir tutoriais de maquiagem. Eu adoro! Pra mim, é prazeroso ver as pessoas se transformando, fazendo coisas legais e conversando com a câmera. Mas você sabe quantos tutoriais de maquiagem eu já fiz na minha vida? Eu te digo, zero. Eu nunca fiz um contorno, experimentei um iluminador, nem fiz algo na sobrancelha. Eu acho um saco essas tendências que colocam todo mundo numa caixa pra ter um rosto igual e padrão, quando maquiagem não só é algo pra nos fazer sentir bem, mas também pra ser divertido sabe? E nem é que eu acho feio, só que até então eu nunca vi como algo que seja eu, sabe?

Ulises, the Unicorn por Mocho Massé
Nesses tutoriais eu também me deparo muito com as meninas se justificando que preferem fazer algo de uma forma ao invés de outra, porque pessoas ficam comentando que elas se maquiam de forma errada. Ou se vestem de um jeito que elas consideram inapropriado. Ou tem um cabelo que não condiz com o padrão desejado de quem assiste. Foi no meio de tantas justificativas pra pessoas assumirem quem elas são esse texto nasceu. 

Sabe qual é o jeito certo de se vestir e de se maquiar? É o seu jeito. A forma que te representa, que te faz sentir que você é uma mulherona, que transmite quem você é e a imagem que  quer que as pessoas te vejam. Referências, consultorias de estilos, dicas de como se vestir melhor é apenas uma forma de lapidar o que há dentro de cada um de nós. A gente precisa parar de criticar as pessoas pela maneira que elas se vestem, como elas preferem deixar o cabelo ou a maquiagem. Porque não existe jeito errado. 

Selfie time por Mocho Massé

É engraçado que mesmo sem a gente perceber essa sempre foi o tema por trás do nosso blog, desde o  nome, até muitos textos que compartilhamos nos últimos anos (dá uma olhada nesse aqui, aqui e aqui também). A ideia de usar algo que faça com que você se sinta maravilhosa, sem se importar com o que as pessoas fossem dizer. Eu sei, é muito fácil falar isso, quando a realidade é bem diferente. Estamos falando de uma indústria que excluí uma porcentagem absurda de pessoas, por ser completamente direcionada pra quem tem dinheiro, pra quem é magro e dentro dos padrões aceitáveis. Ainda sim, é muito possível usar algo que nos oprime pra nos deixar mais poderosas, mais a gente mesmo e bem menos aquilo que estão dizendo ser o certo. Transmitir quem somos é termos um lugar pra ser nosso no mundo.

Por causa de tudo isso, gostaria de ver menos gente comentando nos vídeos do programa criticando que o cabelo da participante tal não ficou legal, a maquiagem não combinou com certa coisa e algo do tipo. Porque somos únicos e geralmente as transformações são meio que pensadas pra realidade de quem está ali. Adianta colocar em alguém um cabelo que exige manutenção em salão de beleza quando não for algo que a pessoa goste ou tenha condições de bancar? Ou uma maquiagem super elaborada, com direito a todos os passos das youtubers, pra quem mal tem tempo de se olhar no espelho de manhã? O mesmo serve pra influenciadores, para suas amizades, para as pessoas que trabalham com você. Vamos parar de nos aprisionar e colocar outras pessoas na mesma posição com  regras que não fazem sentido pra maioria de nós. Eu acredito muito que ser quem nós somos é um ato de resistência, e por isso, não deveríamos ter medo de resistir. 

Sandy Quintans
@sandyquintans

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Tudo que sempre quis saber sobre piercing no septo e tinha vergonha de perguntar

Tudo que sempre quis saber sobre piercing no septo e tinha vergonha de perguntar
Lá no comecinho do ano eu e a Helen resolvemos furar o septo antes da minha viagem. No meu último mês em casa, eu resolvi que iria realizar várias coisas que tinha vontade, como forma de despedida da Sandy que existia antes do intercâmbio. Claro, que nem tudo dava pra fazer por causa de dinheiro, mas foi uma época muito deliciosa. Comi tudo que tive vontade, fui em lugares que amava, restaurantes novos e furei o septo. Quando propus isso pra Helen, sabia que ela iria topar – o que foi mara, pois agora nessa fase separadas pelo oceano, ganhamos um símbolo da nossa irmandade.

Um piercing tão discreto que é até difícil de aparecer na foto
Sempre que passo por algo novo na minha vida, gosto de ter algum tipo de mudança, mesmo que pequena. Por isso, tomar a decisão foi super natural. Eu nunca fui uma pessoa que gostava de piercing, tanto é que não havia tido nenhum até agora, mas o do septo sempre foi um que paquerei. Eu tinha receio de furar por causa de trabalho, por causa da minha rinite e que fosse algo over. Sem contar que sou bem bunda mole em relação a dor, vamos ser sincero. No meio dessa minha vontade, eu tive uma inspiração enorme pela Cupcake Jemma, uma youtuber confeiteira maravilhosa que eu acompanho, porque ela tem um super discreto. Fiquei imensamente encantada com aquela joia, que me fez querer aquilo imediatamente. Ela tinha me mostrado que dava sim pra ter um furo no septo, sendo delicado e estiloso ao mesmo tempo. 

Como escolheram as joias?

Arrazani com os piercing da irmandade.

Tendo decidido isso, eu e Helen partimos para o ato em si, com a ideia de ter a menor joia que fosse possível, porque estávamos encantadas com a ideia de um piercing minimalista e que combinasse mais com o nosso momento da vida. Já de cara, soubemos que não era recomendado colocar a que a gente queria, pois a joia inteira (uma que parece um anelzinho) poderia causar um inchaço e ficar preso. Logo, partimos para a peça mais comum mesmo, a que parece um ganchinho. Ainda na ideia de descrição, decidimos por um de 8 mm, o que é bem pequeno mesmo.  Essa decisão foi muito boa, pois se tivéssemos seguido a ideia original, provavelmente teria que ter tirado o piercing do septo, já que no meu emprego aqui eu não posso usar, enquanto que o que estou agora eu posso esconder.


Hora da verdade: dói? 


A Helen foi super corajosa e resolveu encarar primeiro, o que fez com que eu quase desistisse e voltasse pra casa frustrada, rs. Quando ela saiu da salinha com os olhos cheios de lágrimas dizendo que não doía fiquei desconfiada, mas segui em frente. Basicamente, o body piercing fez toda a limpeza da região, pediu pra que eu deitasse na maca e ficasse o mais imobilizada que eu conseguisse. Ele me avisou que seria um processo um pouco mais lento que os outros piercings, porque o furo precisava ficar o mais reto possível. Quem quer um piercing no septo torto, né amigos? Não vou falar que não dói, mas é algo suportável e que você só vai realmente sentir no exato momento de fazer o furo e colocar a jóia. Eu acho que dá pra comparar com a dor de espremer espinha dentro do nariz. 

Quais são os primeiros cuidados?


Depois que eu furei, fiquei chorando involuntariamente por muito tempo, mas não senti dor nenhuma. Apenas no segundo dia foi que a região ficou um pouco sensibilizada, o que só dá pra sentir nos processos de limpeza e tudo mais, depois quase não se sente mais nada. Os primeiros cuidados consiste apenas em limpar a região com cotonete e soro fisiológico e só, é super tranquilo mesmo. É interessante ficar atento e realmente não fica mexendo, pois é uma região que tem uma cicatrização completa mais lenta que as outras partes do corpo, podendo ser de quatro meses a um ano.

Tem algum contra?


Agora, uma coisa meio inconveniente que tivemos nos primeiros meses é que tem dias que o piercing fede! Isso mesmo. É péssimo, porque é um cheiro ruim dentro do nariz, basicamente. Porém, quando acontecia isso, a gente lavava com sabonete antibacteriano que resolve o problema. É algo super comum de acontecer e já faz muitos meses que não passo mais por isso, o que acabei associando que fosse algo do período de cicatrização mesmo.  

Dá pra esconder mesmo?


Como eu disse ali em cima, sempre que vou trabalhar aqui, tenho que esconder o meu querido piercing no septo. Tinha o maior medo de não dar certo, mas agora peguei a técnica e funciona super bem, só é preciso ter alguns cuidados. A verdade é que não são todos que dá pra guardar, vamos dizer assim. Se tivéssemos colocado a joia que é inteira, não teria dado certo. Como essa é uma região mais sensível, não dá pra ficar tirando e colocando toda hora, tipo um brinco, porque a tendência pra inflamar é meio grande. Por isso que sempre que vou mexer, lavo bem as mãos e o nariz, pra não ter nenhum problema depois.

A verdade é que agora o piercing faz tão parte de mim, que tem horas que esqueço completamente dele. Até mesmo nas crises de rinites! O que já me faz pensar em novas joias e visuais. Depois que cheguei aqui na Irlanda, ele se encaixou perfeitamente na paisagem, já que muita gente tem e de tamanhos completamente variados. Alguns chegam a ser tão grandes que fico pensando na dor, será que doeu mais? Enfim, espero ter conseguido matar a curiosidade de quem pensa em fazer também. Se eu consegui, você também vai ♥.

Arte incrível que saiu daqui

Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O verão irlandês (ou como a vida pode ser ideal em Dublin)

O verão irlandês (ou como a vida pode ser ideal em Dublin)
Existe uma piadinha entre os irlandeses que diz que sabemos quando é verão na Irlanda quando a chuva começa a ficar quente. De certa forma, essa brincadeira deles tem um fundo de verdade, já que em aspectos de temperatura, dá pra comparar o inverno do sudeste brasileiro com os meses mais quentes de Dublin. E isso não é um exagero. Mas assim como na época do Saint Patrick's Day, há uma exaltação no ar que acaba nos contagiando por completo, e quando você vê, tá ali aproveitando aqueles dias mais quentinhos como se estivéssemos num sol de 40 graus.

Ganhei uma marquinha de sol desse vestido, depois que passei o dia sem esse cardigã: orgulho ♥

Quando cheguei em Dublin, lá no final de janeiro, peguei uma amostra do inverno, com vento, com frio, com chuva e com dias curtos. Acho que demorou uns quatro meses pra eu começar a viver sem as camadas de roupas e poder usar uma camiseta com uma certa tranquilidade. Assim que os dias começaram a ficar minimamente mais longos, nossa rotina mudou completamente e de alguma forma éramos inspirados pela luz do sol a aproveitar o dia. Eu havia imaginado por muito tempo como seria ter sol das 5h às 23 horas, mas quando aconteceu foi tão gradual e natural que só conseguia amar aquele pequeno milagre.

Se você perguntar aos irlandeses, eles te dirão com toda a certeza que não têm verão. Mas a verdade é que esses meses é a vida mais ideal que podemos ter por aqui. Pessoas indo e vindo o tempo todo, compartilhando experiências, usando pouca roupa, horas nos parques, nas praias, e tendo refeições do lado de fora dos restaurantes. Faz calor, mas não muito, chove, mas nem tanto. E sempre tem dezenas de eventos e coisas acontecendo ao mesmo tempo, como se a cidade estivesse pulsando vida e energia para as pessoas. Mas sabemos que é contrário. É o espírito e exaltação de cada um contagiando tudo ao redor.

Sol,calor e flores nas terras irlandesas.

E de alguma forma, quando a gente menos percebe, está lá no fundo do guarda-roupa procurando aquele shorts que você lembrou de colocar na mala, os poucos vestidos que pendurou no cabide - cética de que algum dia fosse usar. Procurando pela cidade os melhores sorvetes, quando você achou que só viveria de sopa e chocolate quente.

Agora que chegamos até a metade de agosto, dá pra dizer que o verão aqui na Irlanda começou a dar um adeus definitivo. O que começa a já dar uma saudade dos últimos três meses, mesmo naqueles momentos que não sentíamos tanta certeza de que estação do ano estávamos vivendo. Já começamos a nos sentir saudosos das caminhadas e passeios durante a noite ensolarada e das amizades de verão, de gente que passou por aqui só pra essa época especial. E apesar de iniciar uma despedida, não me sinto triste. Me sinto ansiosa pra saber o que as próximas estações nos reservam. Tomar um delicioso chocolate quente, poder ler e ver um bom filme, e começar a preparar as camadas de roupas para os dias frios.

Passeios noturnos de pernas de fora: temos por aqui.
Sandy Quintans
@sandyquintans
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